
Miguel Martins é um artista visual cuja prática explora a relação entre matéria, memória e território. Através de assemblagens e esculturas construídas a partir de materiais encontrados, o artista transforma fragmentos do quotidiano em composições que evocam paisagens, histórias e vestígios da cultura material contemporânea.

Sobre o artista
Faro, 1981
Artista visual e cofundador do Estúdio Onze.
Vive e trabalha na serra Algarvia.
Miguel Martins desenvolve uma prática artística centrada na relação entre matéria, memória e território. Através da assemblagem, da escultura e da transformação de materiais encontrados, constrói obras que partem de fragmentos do quotidiano, como madeira antiga, ferro oxidado, portas, postigos e objetos abandonados, para criar composições onde o tempo, o gesto e a identidade material portuguesa se cruzam.
Autodidata por natureza, construiu a sua aprendizagem artística através da experimentação constante, fazendo do erro, da tentativa e da reinvenção parte essencial do seu processo criativo. A sua prática nasce de uma relação direta com os materiais: observar, recolher, desmontar, reorganizar e devolver presença a objetos que pareciam ter perdido função ou lugar.
Nos últimos anos, consolidou uma linguagem própria assente na assemblagem, na escultura em madeira e na reutilização de materiais antigos, especialmente elementos arquitetónicos portugueses, como portas, postigos e madeiras marcadas pelo uso. As suas obras são composições de memória e matéria, onde vestígios do passado se transformam em linguagem escultórica contemporânea.
Em 2013, dedicou-se em pleno às artes e fundou o Estúdio Onze, coletivo criativo sediado em Faro, que se tornou uma das plataformas artísticas mais consistentes do sul do país, cruzando arte contemporânea, ofício, território e pensamento curatorial.
Antes da sua dedicação integral à prática artística, Miguel Martins percorreu um caminho singular, com uma formação inicialmente ligada à pedagogia e à religião. Estudou no Seminário de São José, em Faro, onde manteve uma formação católica até à maioridade, e licenciou-se em Educação Básica pela Universidade do Algarve. Foi ainda empresário em nome individual desde 2005, percurso que antecedeu a sua mudança definitiva para o universo das artes.
Através das suas assemblagens, esculturas e projetos site-specific, Miguel Martins recria um vocabulário visual onde tradição e contemporaneidade se encontram. O artista devolve dignidade ao que seria descartado, afirmando que o velho não é lixo: é herança, matéria viva e possibilidade de futuro.
Atualmente, mantém-se no Estúdio Onze, onde desenvolve peças de pequena, média e larga escala, colaborando também em projetos de arte pública, instalações e criação contemporânea em diálogo com arquitetura, paisagem e território.

